Bem vindo!

"...É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a Fracassos e Derrotas, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, pois vivem em uma penumbra cinzenta tão grande que não conhece vitória nem derrota...."

(..Theodore Roosevelt..)

Que Deus nos abençoe!

“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.”

(Abraham Lincoln)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"Trabalhamos para um lucro maior", diz Graça Foster.


No primeiro dia à frente da Petrobras, Maria das Graças Foster, 58 anos, deixa claro que exigirá o máximo de funcionários e parceiros. Uma coisa que não tolera, avisa a mineira de Caratinga, é discutir com quem não sabe. Promete "um lucro melhor, maior do que o de 2011 (R$ 33 bi) e de 2010 (R$ 35 bi)". E admite que em algum momento terá que reajustar preços dos combustíveis, mas sem ingerência política. Em sua sala na sede da estatal, no 23º andar da Av. Chile, a botafoguense sorri quando acha, em meio a planilhas, a letra do samba da União da Ilha. Em outro momento descontraído, conta que, quando garota, lia e escrevia cartas para vizinhos do Morro do Adeus, no melhor estilo "Central do Brasil".
O GLOBO: Como foi seu primeiro dia como presidente da Petrobras?
MARIA DAS GRAÇAS FOSTER: Até agora, não tinha dado espaço para a emoção. Ela só veio domingo agora, quando comecei a escrever meu discurso, pelo fato de ser uma responsabilidade gigante perante os colegas, porque você é resultado do trabalho deles.
Como é o estilo Graça de gestão?
GRAÇA: Eu sou muito objetiva. Eu preciso ser interrompida, ser questionada, mas tem que ter argumentos técnicos, de natureza econômica. Porque o tempo é muito curto para uma empresa desse tamanho.
A exigência de conteúdo nacional, que esbarra na limitação da capacidade da indústria nacional em atender à forte demanda de encomendas da Petrobras, pode ser um entrave aos projetos? A Petrobras vai pressionar as indústrias a se capacitarem?
GRAÇA: A indústria de petróleo no mundo está aquecida, todas as outras grandes companhias têm investimentos muito expressivos. Estamos competindo com elas na indústria de bens e serviços, e no Brasil também. O conteúdo local não acontece se ficar frouxo. Ele (fornecedor) não pode achar que vai ser como ele quer, senão não vai ter encomenda.
Os acidentes da Chevron, no campo de Frade, e no campo Carioca Nordeste, no pré-sal, farão a Petrobras mudar suas normas de segurança?
GRAÇA: O que ocorreu no campo de Macondo (Golfo do México), no Campo do Frade e no Carioca Nordeste foram coisas diferentes. Mas percebi na área de Exploração e Produção uma mudança na cultura. Eles incorporaram a questão da prevenção, que é mais importante que tudo. De outubro de 2010 a dezembro de 2011, fizemos 185 auditorias internas em nossas unidades, cumprindo um termo de compromisso com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). As nossas auditorias estão sendo muito mais rigorosas do que qualquer órgão regulador.
Como a senhora vê a discussão sobre a divisão dos royalties? E a possibilidade de se aumentar a cobrança das Participações Especiais (PEs), que atingiria diretamente a empresa?
GRAÇA: Nem pensar em aumentar a PE. Aí vocês vão ver esta moça aqui entrar no debate. Com relação aos royalties, qualquer operadora quer ver essa situação resolvida.
E a participação da estatal venezuelana PDVSA na refinaria Abreu e Lima? Sai ou não sai?
GRAÇA: Não se pode prosseguir sem que eles resolvam seus problemas com o BNDES. Quando isso acontecer, vamos nos sentar e conversar.
Como atender a uma demanda crescente por combustíveis?
GRAÇA: Quem vende quer mercado, e eu me considero uma vendedora. O país cresce, excelente. A indústria automobilística cresce. Como vendedora, espetacular, fico rindo à toa. Temos todas as refinarias do país e estamos construindo outras quatro.
O lucro caiu à metade no último trimestre de 2011, entre outras coisas por causa do aumento de importação de combustível. Vai continuar a cair?
GRAÇA: Comparado com igual trimestre de 2010, houve resultado ruim, sim. Mas não analisamos esse resultado só em um trimestre. Ele não pode ser uma tendência.
Parte da perda do ano passado também foi por causa do preço dos combustíveis. Eles vão subir?
GRAÇA: Evidentemente que, num determinado momento, os preços terão que ser ajustados. Comparando 2011 com 2010, tivemos uma diferença de R$ 2,8 bilhões, o que é muito.
O que a senhora tem a dizer para o investidor que viu o lucro da companhia cair no último ano?
GRAÇA: Trabalhamos para que a gente tenha este ano de 2012 um lucro melhor, maior do que o de 2011 e maior do que de 2010. Não tenha dúvida disso.
Mas e o controle da inflação pelo governo, que pode segurar os preços dos combustíveis, não influencia?
GRAÇA: A Petrobras não participa da discussão da inflação no país. Não existe essa pauta. Na reunião com o controlador, a gente mostra o conjunto da obra, mostra a projeção dos preços do barril de petróleo, as projeções de câmbio e PIB, o endividamento, uma série de indicadores.
Os investidores se queixam da ingerência política na gestão da companhia. Com a sua lealdade prometida à presidente Dilma Rousseff, no discurso de posse, os investidores não têm que se preocupar mais?
GRAÇA: Tem investidores de curtíssimo, de médio e longo prazo. Quem compra ações da Petrobras sabe que está comprando ações de uma estatal. E compra com a segurança de que essa empresa também sofre a influência positiva do governo. Acho inimaginável o presidente de uma empresa como a Petrobras que não tenha junto à presidente do país uma relação de absoluta fidelidade.
Os novos diretores (José Formigli e Alcides Santoro) são técnicos escolhidos pela senhora. Mas e a escolha de José Eduardo Dutra para ocupar a recém-criada diretoria de Gestão Corporativa?
GRAÇA: Eu não vejo essa diretoria com uma cara política. A criação dessa diretoria está em discussão desde 2007 e ela não tem atividade política. Dutra foi presidente da BR, da Petrobras, é um técnico.
A senhora se filiou ao PT em 2008. O PT é uma das estrelas tatuadas em seu braço? O que elas significam?
GRAÇA (rindo): Eu tenho três (estrelas) mais visíveis, e tenho outras estrelinhas também. Mas nunca ninguém ouviu o significado delas. Nem meus filhos sabem. Tem uns quatro anos. Agora, quando me filiei ao PT, não via nem vejo nenhum problema nisso, é uma decisão da cidadã que optou por ter uma filiação ao partido. Não tenho nenhum envolvimento maior com o PT porque não tenho tempo.
Assim como Gabrielli, a cidadã Graça tem ambição política? Pensa em se candidatar?
GRAÇA: Nenhuma! Eu participei da campanha do presidente Lula, fui para a rua, levei bandeira e não era filiada ao PT. Depois, com a presidente Dilma, a mesma coisa. Foi divertidíssimo, mas foi cansativo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
E como a senhora pretende enfrentar as pressões de aliados políticos?
GRAÇA: Eles vêm e você tem que conversar. Dessa relação quero tirar o máximo para a Petrobras. Essas pessoas trabalham, têm missão, são grandes aliados, no sentido que nos defendem como empresa estatal. É meu dever conversar com eles.
A senhora morou no Complexo do Alemão. Teve uma infância difícil?
GRAÇA: Difícil é relativo. A gente nunca deixou de estudar, nunca sentiu fome. Sempre moramos em casa muito humilde, simplesinha, mas limpa, radiante e com uma mãe muito amorosa. Depois, mudamos para um apartamento pequeno na Ilha do Governador.
A senhora foi catadora de papel?
GRAÇA: Não é tão verdadeiro... Meu primeiro trabalho de carteira assinada foi como estagiária na Petrobras. Dei aula de inglês, matemática. Quando morei no Morro do Adeus, fazia um trabalho mais legal. Eu escrevia e lia cartas para as pessoas, quando tinha 8, 9 anos. E ganhava uma moedinha, comprava uma borracha. Fazia porque me davam um agrado. Com uns amigos, catávamos coisas, sim: lata, jornal, coisas para vender. Conseguia um dinheirinho para encapar um caderno, comprar uma lavanda para minha mãe.
Que conselho a senhora daria para outras pessoas humildes que hoje estão lá?
GRAÇA: Primeiro é querer estudar. Tem que ter aquela força interior, essa tem que vir dos seus pais, ou da gente mesmo. Tem que ter coragem. Quantas pancadas eu tomo? Preconceito, nunca senti, porque enfrento.
E como mulher, já foi discriminada?
GRAÇA: Nunca senti. Eu elimino o preconceito me preparando muito para as reuniões. Porque ninguém cala a boca de quem sabe.
O que a senhora não tolera?
GRAÇA: Eu não tolero sentar com uma pessoa despreparada e que quer impor um tom de autoridade.
Por que a presidente Dilma chamou a senhora de Graciosa na segunda-feira (na véspera, durante a posse)?
GRAÇA: Ela sempre me chama assim. Menos quando está zangada. Aí é Graça mesmo.... (rindo)

Fonte: O Globo

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Leilão dos aeroportos termina com ágio de até 673%


No total, governo arrecadou R$ 24,5 bilhões, 348% do acima preço mínimo. Invepar, que venceu disputa por Guarulhos, controla o metrô do Rio

O leilão dos aeroportos privatizados nesta segunda-feira terminou com ágio máximo de 673,39%, na oferta de R$ 4,501 bilhões feita pelo grupo Inframerica Aeroportos pela concessão do Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. O consórcio Invepar venceu a disputa pelo aeroporto de Guarulhos com uma proposta de R$ 16,2 bilhões, ágio de 373,5% sobre o preço mínimo. Já o aeroporto de Viracopos ficou com o grupo Aeroportos Brasil, com valor de R$ 3,821 bilhões e ágio de 159,8%. No total, o governo arrecadou R$ 24,535 bilhões e o ágio médio de 348% sobre os preços mínimos estabelecidos.
O consórcio Invepar, que ganhou Guarulhos, é formado pela brasileira Invepar, uma empresa de investimentos em infraestrutura criada pela construtora OAS e que tem como acionistas os fundos de pensão Funcef (Caixa), Previ (BB) e Petros (Petrobras). A Invepar tem concessão do Metrô do Rio até 2038 e também controla a Lamsa, operadora da Linha Amarela do Rio e é responsável pela concessionária da rodovia Rio-Teresópolis. A Invepar detém 90% do consórcio vencedor de Guarulhos. O restante provém da operadora dos principais aeroportos sul-africanos ACSA. A sul-africana transportou mais de 30 milhões de passageiros no ano passado.
O consórcio Aeroportos Brasil, que levou o aeroporto de Viracopos, é dividido em 45% da Triunfo Participações e Investimentos, empresa brasileira que detém concessões rodoviárias, terminais privativos de portos e hidrelétrica, 45% da UTC participações, que controla a Constran, construtora paulista com longa experiência em obras públicas e mais 10% da Egis Airport Operation, operadora francesa de aeroportos com forte atuação em aeroportos africanos.
Já o Consórcio Inframerica Aeroportos, que ficou com o aeroporto de Brasília, é formado por 50% da Infravix Participações, empresa do grupo Engevix e outros 50% da operadora de aeroportos argentinos Corporación América. A argentina transportou 47 milhões de passageiros em seus aeroportos administrados no ano passado.
O resultado final do leilão de três dos principais aeroportos do país foi comemorado pelo ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt. Segundo ele, o ágio de 348% sobre o valor mínimo da outorga dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília mostrou que o país é um ambiente seguro para o investimento.
— De novo o Brasil deu uma demonstração que é um ambiente seguro de investimento. Ter um certame com tanta disputa mostra isso — afirmou.
O presidente da Invepar que arrematou o aeroporto de Guarulhos, Gustavo Rocha, disse que jogou para ganhar e que fez estudos por 8 meses com mais de 100 pessoas para chegar aos R$ 16,2 bilhões oferecidos. O valor foi tão alto que o aeroporto não teve novos lances.
— Não tenho dúvida que é uma ótima oportunidade de investimento e que vamos entregar aos acionistas e aos usuários o que eles esperam — que estima para entre 2016 e 2017 um movimento de entre 50 e 55 milhões de passageiros em Guarulhos, projeção acima do mercado.
O presidente da Triunfo, Carlo Bottarelli, apesar de reconhecer que as ações de sua empresa caíram 6% após conquistar o aeroporto de Viracopos lembrou que o ágio pago pelo aeroporto foi o menor dentre os três ofertados.
— A dinâmica do leilão mostrou que cada grupo tinha um foco. Num jogo desse tínhamos que dar um winner na entrada. Estamos confiantes.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar até 80% do investimento total previsto no edital do leilão para os três aeroportos. O prazo do empréstimos será de até 15 anos para os terminais de Guarulhos e de Brasília e de até 20 anos no caso de Viracopos.
Em termos nominais, o valor arrecadado com o leilão dos três aeroportos é o maior já registrado R$ 24,5 bilhões. Porém, o maior leilão de privatização já realizado no país ocorreu em 1998 com a venda do Sistema Telebrás - R$ 22 bilhões que, em valores atualizados pelo IPCA, hoje corresponderia a R$ 51,044 bilhões. Em dólares, o valor arrecadado com os três aeroportos é de US$ 14,26 bilhões. Já o da venda do Sistema Telebrás, considerando a taxa de câmbio da época, era de ou US$ 18,91 bilhões.
Para CNI, privatização é “quebra de paradigma”
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na tarde desta segunda-feira nota de apoio a privatização do aeroportos. A entidade classificou a transferência das operações dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Viracopos para a iniciativa privada como uma “quebra de paradigma”. Segundo a CNI, o aumento da participação do setor privado na gestão dos serviços é um dos principais caminhos para reduzir o elevado déficit na infraestrutura do país.
“A eliminação desse déficit é decisiva para reduzir os custos das empresas e garantir a competitividade da indústria brasileira", diz o texto.
Ao final, a CNI alerta, no entanto, “que o ideal seria a elaboração de um plano geral de outorgas para os aeroportos, indicando os próximos passos do governo na privatização do setor”
Manifestação esvaziada
Do lado de fora da Bovespa, onde ocorreu o leilão, cerca de 40 sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) protestaram contra a privatização dos aeroportos. A central sindical é contra tirar a Infraero do controle dos aeroportos mais rentáveis do país. A entidade também questiona a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como financiador dos investimentos.
A presença de companhias de fora do Brasil foi uma exigência do edital, ao estabelecer que cada consórcio tivesse um operador que tenha transportado ao menos 5 milhões de passageiros no ano passado.
A estatal Infraero, atualmente responsável pelos aeroportos no Brasil, será sócia dos concessionários privados, com participação de 49% nos terminais.
Os três aeroportos têm prazo de concessão diferentes. São 20 anos para Guarulhos, 25 anos para Brasília e 30 anos para Viracopos.
Além da outorga, os concessionários terão que ceder um percentual da receita bruta ao governo, dinheiro que irá para um fundo cujos recursos serão destinados ao fomento da aviação regional.
Aeroportos privatizados receberão R$ 16 bilhões
Os concessionários que venceram a disputa deverão investir cerca de R$ 16 bilhões nos três aeroportos durante a concessão, sendo cerca de R$ 2,9 bilhões antes da Copa do Mundo de 2014.
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os três aeroportos juntos respondem por 30% do trânsito de passageiros no Brasil, por 57% das cargas e por 19% da movimentação de aeronaves.

Fonte: Folha.com 

Leilão dos Aeroportos


Consórcios enfrentam ceticismo do mercado, mas garantem que têm capacidade para pagar outorgas e investir

As dúvidas sobre a capacidade de os consórcios vencedores do leilão dos três aeroportos honrarem investimentos fez com que as empresas partissem nesta quarta-feira para o contra-ataque, mostrando que são capazes de assumir o plano de modernização dos terminais. Mas analistas temem o real potencial destes grupos e a possibilidade de uma redução da qualidade das obras para baratear os custos e fazer frente aos compromissos assumidos.A Triunfo Participações contestou a avaliação do mercado de que não teria condições de arcar com a outorga do aeroporto de Viracopos, em Campinas. O presidente da companhia, Carlo Bottarelli, afirmou em teleconferência com analistas de mercado que a geração de caixa atual do aeroporto, estimada em R$ 130 milhões em 2011, já seria mais do que suficiente para pagar o valor anual da outorga — de R$ 127,4 milhões. Parte das dúvidas sobre a Triunfo se baseia na perda da concessão da rodovia Ayrton Senna (SP), em 2009, por falta de garantias. A empresa culpa a seguradora de não ter cumprido com seus compromissos. Para Bottarelli, a chance de um fato como esse se repetir é nula.
Sobre Viracopos, o executivo lembrou que os estudos levados a cabo pela Triunfo e demais participantes do consórcio (UTC e a francesa Egis Ariport Operation) mostraram que a necessidade de investimentos é 32% menor do que a estimada pelo governo. A empresa prevê R$ 7,8 bilhões para a ampliação e manutenção do aeroporto nos 30 anos da concessão, contra R$ 11,5 bilhões estimados pelo governo.
— E temos que considerar que a nossa participação na administração do aeroporto, e nossos dividendos, estarão limitados a 23% do total. Isso porque a Infraero é sócia com 49% — disse.
O executivo ironizou a observação negativa que a Triunfo recebeu da agência de risco Fitch. Ele disse que se sentiu lisonjeado por ver o nome da empresa pela primeira vez nos painéis de notícias e se colocou à disposição para esclarecer detalhes do projeto para a instituição. Depois de terem caído 10% por causa da concessão, os papeis da Triunfo subiram 6,54% ontem. O avanço se deu num dia em que o Ibovespa caiu 0,13%.
No caso de Guarulhos, estima-se que a Invepar e seus sócios precisarão triplicar as receitas do aeroporto, que devem atingir R$ 1 bilhão este ano, para fazer frente aos R$ 810 milhões anuais e quitar os R$ 16 bilhões pela outorga do terminal, além de realizar os investimentos previstos, garantindo retorno de 6% ao ano. O presidente da companhia, contudo, estima que o crescimento no número de passageiros será maior que o estimado, bem como o da receita não-tarifária, na locação de áreas do aeroporto, por exemplo.
O Consórcio Inframérica, que levou a concessão de Brasília, informou em nota que tem capacidade para honrar os compromissos. A empresa lembrou que Brasília é um hub (centro de distribuição de voos) e deverá contar com 34 milhões de passageiros/ano até o fim do contrato. A exploração comercial do aeroporto será uma grande fonte de renda. “O Consórcio pretende atingir uma receita comercial nos padrões internacionais já alcançados pela Corporación América em seus aeroportos ao redor do mundo e que, hoje, não encontramos nos aeroportos do país”.
Mantega: governo vai avaliar capacidade das empresas
O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, que compareceu à inauguração do novo terminal de Guarulhos — a estrutura emergencial conhecida como “puxadinho” — disse ontem não acreditar que os consórcios vencedores terão problemas para manter os investimentos, lembrando que o governo vai fiscalizar e que há multas previstas no contrato:
— Há absoluta confiança no processo e nos novos sócios.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo vai avaliar a capacidade financeira e de gerenciamento dos grupos vencedores:
— As empresas têm que ter capacidade própria de financiamento, de investimento e de gerenciamento. Elas vão poder contar com o BNDES, porque em qualquer país do mundo você tem fontes de financiamento, mas têm que ter capacidade própria.
Mantega assegurou que os recursos da concessão não serão utilizados pelo governo para abater juros da dívida pública. Embora Gustavo do Vale, da Infraero, tenha admitido que outros terminais possam ser concedidos à iniciativa privada ainda neste ano — lembrando que não há decisão sobre isso — Mantega disse que o governo não estuda fazer novas concessões de aeroportos neste momento. Segundo ele, o plano é criar, ao longo do tempo, uma rede nacional composta por aeroportos principais e regionais, sendo que os menores receberão a ajuda das novas receitas de concessão:
— Não é correta a informação de que o governo estaria estudando a concessão para estados e municípios de aeroportos regionais. Não está previsto neste momento. Estamos pensando em criar uma rede de aeroportos, que tem os aeroportos principais e os regionais, e é por isso que os recursos arrecadados com a concessão não irão para o Tesouro, não serão utilizados para o pagamento de dívida.

Fonte: O Globo

Melissa finca os pés em Nova York


De olho no mercado de moda internacional, marca abre loja em rua badalada do Soho

Um passo ousado para conquistar o mercado internacional foi dado nesta quarta-feira pela Grendene com a abertura da Galeria Melissa no SoHo, bairro dos descolados e das grifes famosas em Nova York. Maior exportadora de calçados do país, a Grendene quer iniciar, na Greene Street, na vizinhança de grifes como Louis Vuitton e Stella McCartney, uma presença nos lugares que ditam a moda internacional.
— Muitas marcas estão se dirigindo para cá, são marcas cult, referência na moda. Queremos fazer moda, e não seguir tendências — diz Francisco Schmitt, diretor de relações com investidores da Grendene, em Nova York.
A primeira Galeria Melissa foi aberta há cinco anos, na Rua Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo. Não há planos para uma loja semelhante no Rio, mas sim na Europa e na Ásia. A China é o mercado que mais cresce para a Grendene, que vendeu 54 milhões de pares para o exterior em 2010 (38% do total de vendas do Brasil). Os planos de abertura de novas galerias Melissa no exterior são para curto prazo, mas sem datas nem cidades definidas.
O investimento para a abertura de uma loja do tipo oscila entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões. A grande questão, segundo Schmitt, é achar o ponto certo:
— Serão pelo menos uma cidade na Europa e uma na Ásia. O ponto é fundamental. Queremos locais influentes.
O diretor lembra que o Brasil já ocupou, nos anos 1980, o lugar que a China detém hoje, de maior exportador de calçados do mundo, com base na mão de obra barata. Hoje, os asiáticos são imbatíveis por esse critério, e a Grendene procura garantir seu lugar no mercado investindo em design.
— Se o Brasil quiser sair do modelo de exportação de commodities, vai ter que achar o caminho de exportar inteligência, valores brasileiros, arte brasileira — disse Schmitt, acrescentando que as vendedoras da loja do SoHo foram recrutadas entre brasileiras que já moravam em Nova York.
O diretor da Grendene explica que a galeria expõe apenas a coleção atual. Mas destaca que a empresa está ligada ao sentimento de nostalgia associado às coleções Melissa, que têm mais de 30 anos. Por isso, de tempos em tempos, há relançamentos.
Ao longo desses anos, a Melissa passou por aquilo que executivos e especialistas em marketing definem como “reposicionamento de marca”. Deixou de ser popular e passou a se dirigir a um público de renda mais alta, com parcerias com estilistas como Jean-Paul Gaultier. Alguns modelos chegaram a ser vendidos a R$ 800.
Em Nova York, a marca já era vendida em 40 a 50 revendedores selecionados a dedo, como o Saks Fifth Avenue, loja de departamento de luxo na Quinta Avenida. No Brasil e em mais de 90 países, são quatro mil lojas parceiras.
Com a galeria, a empresa almeja reforçar a marca com os milhares de turistas brasileiros que passam pela cidade.
— Com certeza, todos esses brasileiros que estão viajando para o exterior vão reforçar a adesão à marca — disse Paulo Pedó, diretor de marketing da Melissa.

Fonte: O Globo

Carga tributária de 2011 deve bater recorde, chegando a 36% do PIB


Resultado previsto em estudo de economista é superior à marca histórica de 2008

Turbinada pela arrecadação de impostos federais, a carga tributária deve bater novo recorde em 2011, chegando a 36,2% do Produto Interno Bruto (PIB), com crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2010. A previsão está em estudo dos economistas José Roberto Afonso, Kleber Castro e Marcia Matos, que criou o Termômetro Tributário, um acompanhamento mensal da evolução das principais receitas no Brasil — 85% do total — a partir de informações oficiais. O resultado de 2011, que precisa ser consolidado pelas três esferas de governo, supera a marca de 2008, quando a carga tributária atingiu o recorde de 35,6% do PIB. Em 2010, pela metodologia utilizada de Afonso, a carga chegou a 34,2% do PIB.
— Na série histórica da carga bruta global, a variação de dois pontos do PIB em 2011 foi o salto mais expressivo desde 2000 — destacou.
Outra constatação do estudo é que a expansão da carga em 2011 não foi generalizada, mas concentrada nos tributos federais. No ano passado, 85% do aumento vieram de impostos recolhidos pela Receita Federal.
A arrecadação federal cresceu 1,98 ponto percentual do PIB na comparação com 2010, enquanto a soma dos principais impostos estaduais (ICMS e IPVA) teve um incremento de apenas 0,02 ponto percentual do PIB. Com essa performance, a carga de tributos estaduais ficou abaixo do montante registrado em 2008. Alcançou 7,79% do PIB em 2011 contra 7,93 % naquele ano.
Carga global frente a 2000 é 17% superior
O economista comparou a carga global projetada para 2011 com a de 2000, concluindo que é 17% superior. Nessa comparação também fica evidente o crescimento mais intenso do bloco de tributos federais, que cresceu 18%, enquanto o conjunto de tributos estaduais, apenas 5%. Entre 2000 e 2011, o aumento da arrecadação do ICMS cresceu apenas 3%, contra 17% da receita federal administrada e 21% da receita previdenciária.
O estudo mostra que dez setores responderam por 67% do incremento total da receita. O financeiro é responsável por 19% do ganho total. Em segundo, aparece o de extração mineral. Esse desempenho tão diferente da arrecadação federal refletiria uma economia dual, na visão do economista. Enquanto alguns setores crescem em ritmo chinês, os demais seguem padrões latinos.
Pelos cálculos do economista Amir Khair, outro especialista em tributos, a carga tributária deve crescer 1,7 ponto percentual do PIB em 2011, na comparação com 2010, pelo aumento do Imposto de Renda. Ele também destacou o papel da Previdência no aumento da arrecadação, por causa da formalização crescente de mão de obra e de ganhos reais nos salários.
Para 2012, Khair prevê que a carga tributária vai depender da política fiscal do governo.

Fonte: O Globo

Ovos de Páscoa vão ficar até 9% mais caros este ano


Setor estima crescimento da produção na ordem de 20% e aposta em produtos para adolescentes e crianças


Nem chegamos ao carnaval e os produtores de chocolate já fecharam suas contas para Páscoa: a produção deve ficar 20% maior do que em 2011 e os preços dos ovos de Páscoa até 9% mais altos. Alguns fabricantes, como Garoto e Nestlé, afirmam que, na média, seus reajustes vão acompanhar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — referência para a inflação oficial — que fechou 2011 com alta de 6,50%. Outras empresas, no entanto, como a líder de vendas para a data, a Lacta, vão elevar os preços entre 8,5% e 9%.
Os aumentos, dizem os fabricantes, refletem a alta dos custos de mão de obra, cacau e leite. Tema também amargo para o setor é a carga tributária: 34% de impostos. De qualquer forma, dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) mostram que o setor vai bem, obrigada.
— Nos últimos dois anos o setor cresceu 35%. O consumo per capta de chocolate no país é de 2,2 kg por habitante. Há dois anos, era 1,65kg. O setor vai bem, obrigado — diz Ubiracy Fonseca, vice-presidente de chocolate da Abicab.
Fonseca revela que, em 2011, foram produzidas 18 mil toneladas de produtos de chocolate para a Páscoa. E houve um aumento de consumo de cerca de 7% em relação ao ano anterior. A associação, no entanto, não faz estimativas para 2012.
— O Brasil é o quarto maior produtor de chocolates do mundo. Temos produto de alta competitividade — afirma Fonseca.
A Lacta produzirá 27 milhões de ovos de chocolate em 2012, dois milhões a mais do que em 2011. A Kopenhagen, do Grupo CRM, aumentará sua produção em 28% e os preços de 5% a 7,5%, informa a vice-presidente executiva do grupo, Renata Moraes Vichi:
— No ano passado, dez dias antes da Páscoa alguns produtos já estavam esgotado – conta Renata.
Os produtos clássicos mais procurados pelos consumidores da Kopenhagen custam entre R$ 74,90 (ovo de 350g) até R$ 129,90 (ovo de 650g). Para esta Páscoa a novidade da marca é a “galinha dos ovos de ouro”, fabricada em louça branca, com ovinhos de chocolate (R$ 89,90).
Astro pop, filme e personagens infantis são apostas para aumentar vendas
Vice-líder com 23% de participação no mercado de Páscoa, a Nestlé espera um crescimento de 5% neste ano. O reajuste nos preços dos produtos ficará entre 3% a 4%, índice abaixo da inflação, segundo Ricardo Bassani, gerente de marketing de chocolates da empresa:
— Há ovos que não tiveram aumento. Até por uma questão de competitividade procuramos repassar o mínimo de reajuste para o consumidor.
Uma das vedetes da empresa neste ano é um produto para o público teen feminino: o ovo de Páscoa do astro internacional Justin Bieber, ao preço médio de R$ 24,90.
— O brinde é um colar semelhante ao que ele usa. Além disso, vem uma foto autografada e vale um download gratuito de uma música de Bieber — revela Bassani.
Já a Garoto aposta no sucesso do filme “Crepúsculo” com o lançamento de produto que traz uma pulseira como brinde.Terceira marca no mercado de Páscoa, a Garoto vai reajustar seus produtos em 3%, em média, segundo André Barros, gerente executivo de marketing.
O gerente comercial da fabricante de chocolates Village, Reinaldo Bertagnon, diz que diferentemente do que acontece com o panetone no Natal, os produtos de Páscoa não tem “concorrentes”:
— No fim de ano, as pessoas têm 13 salário, mas pagam dívidas, compram telefone celular, presentes e até mesmo o peru. A Páscoa é um evento onde os presentes são únicos: chocolate e bolo pascal — fala Bertagnon.
A Cacau Show é a empresa com mais lançamentos para a Páscoa: 14 produtos. O presidente e fundador da empresa, Alexandre Costa, diz que os ovos com a casca recheada continuam sendo o carro-chefe da data. Alguns produtos, como o ovo de Páscoa crocante de 400g, não sofrerão reajuste.
— Esperamos crescer no primeiro quadrimestre 28,7% em valor de vendas — afirma Costa.
Na Top Cau, os ovos com brindes infantis correspondem a 75% do portfólio da empresa. A Arcor pretende crescer 20% neste ano, não só com ovos de Páscoa, mas também com as linhas regulares de chocolate, segundo Oswaldo Nardinelli Filho, diretor geral da marca no Brasil.

Fonte: O Globo

Dez maiores bancos têm 85% dos ativos e concentração deve crescer


Novas aquisições à vista. Setor ainda apresenta juros e tarifas elevados

A expectativa dos analistas de que o Banco do Brasil atinja R$ 1 trilhão em ativos totais este ano e a aproximação entre os indicadores de Bradesco e Itaú — segundo balanço divulgado terça-feira, o Itaú atingiu em dezembro de 2011 R$ 851,3 bilhões em ativos totais, enquanto o Bradesco ficou com R$ 761,5 bilhões — evidenciam o aumento da concentração no setor. Há dez anos, diz o especialista em setor bancário Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, os dez maiores bancos brasileiros detinham 65% dos ativos totais do setor. No ano passado, a parcela era de 85%.
O movimento de consolidação do setor bancário brasileiro, iniciado a partir da queda da inflação com o Plano Real em 1994, acelerou-se a partir da primeira década do século 21 com a entrada dos conglomerados estrangeiros, o acirramento das operações de fusões e aquisições entre bancos e a própria crise econômica em 2008 nos Estados Unidos e na Europa.
E não só na intermediação de recursos que os bancos se concentram. Segundo levantamento da CardMonitor, empresa de pesquisa do mercado de meios eletrônicos de pagamentos, os cinco maiores bancos emissores de cartões detinham 68% do mercado em 2005. No ano passado, a fatia subiu para 81%. Ainda assim, Rodrigues afirma que este movimento de consolidação ainda está longe de ter se esgotado. Os pequenos e médios bancos brasileiros, que cresceram em número por conta da popularização do crédito consignado, ainda não se recuperaram completamente do encurtamento do crédito após a crise e das regras mais restritivas impostas pelo Banco Central.
— O mercado caminha para mais concentração porque os menores não estão totalmente livres de problemas de capitalização e seus controladores não têm fôlego para isso. Prevemos fusões e aquisições nesta faixa — diz Rodrigues.
‘Concentração é parte de problema’
Tal concentração e aumento da concorrência não foram capazes de trazer para baixo nem as taxas de juros cobradas em empréstimos, cheques especiais ou cartões, nem as tarifas cobradas pelas instituições por seus serviços. As diferenças, observa o consultor e ex-economista-chefe da Febraban, Roberto Luis Troster, são gritantes e evidenciam, de um lado, problemas de eficiência das instituições e, de outro, desequilíbrios tributários, de regulamentação e de política monetária, como os compulsórios.
— Enquanto a taxa básica de juros, a Selic, cresceu 0,25 ponto percentual em 2011, os juros do crédito pessoal, sem contar os empréstimos consignados, subiram 45 vezes mais. O Itaú cobra 8,84% pelo cheque especial, enquanto a Caixa cobra 7,98%. A concentração é apenas parte dos problemas — diz Troster.
Há quem discorde. O professor do Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares da Universidade de Brasília, Newton Marques, ex-analista econômico do Banco Central, afirma que os grandes bancos competem entre si por ativos, mas o BC, com uma regulamentação frouxa, permite que bancos façam acordos tácitos que inibem a concorrência do ponto de vista dos clientes.
— São táticas de oligopólio. — diz ele.
Na avaliação da professora do Instituto de Economia da UFRJ Jennifer Hermann, a concorrência não aumentou:
— Os spreads e a lucratividade dos bancos não caem porque a concorrência não aumentou. O custo para mudar de banco é gigantesco no país, as taxas mal explicadas pelos bancos e não temos uma legislação antitruste capaz de evitar, por exemplo, uma fusão entre o Itaú e o Unibanco, que acabou acelerando o movimento de concentração de outros bancos.
A aproximação entre o Bradesco e o Itaú em termos de ativos totais é o resultado de uma estratégia agressiva de crescimento que o Bradesco adotou no dia seguinte ao anúncio da fusão entre Itaú e Unibanco e que focou, segundo o professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ Luiz Fernando de Paula, no aumento de agências e funcionários — seguindo a tradição do banco de ter uma presença geográfica enorme — e na captação, para sua base de clientes, de gente que nunca teve uma conta bancária na vida, surfando na emergência das classes C e D. Além disso, também avançou em pequenas e médias empresas, um segmento onde o Bradesco é líder em empréstimos. O Itaú, por sua vez, não desprezou os segmentos onde é líder, como private banking, banco de investimento e as soluções para grandes empresas.

Fonte: O Globo