Bem vindo!

"...É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a Fracassos e Derrotas, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, pois vivem em uma penumbra cinzenta tão grande que não conhece vitória nem derrota...."

(..Theodore Roosevelt..)

Que Deus nos abençoe!

“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.”

(Abraham Lincoln)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Leilão dos Aeroportos


Consórcios enfrentam ceticismo do mercado, mas garantem que têm capacidade para pagar outorgas e investir

As dúvidas sobre a capacidade de os consórcios vencedores do leilão dos três aeroportos honrarem investimentos fez com que as empresas partissem nesta quarta-feira para o contra-ataque, mostrando que são capazes de assumir o plano de modernização dos terminais. Mas analistas temem o real potencial destes grupos e a possibilidade de uma redução da qualidade das obras para baratear os custos e fazer frente aos compromissos assumidos.A Triunfo Participações contestou a avaliação do mercado de que não teria condições de arcar com a outorga do aeroporto de Viracopos, em Campinas. O presidente da companhia, Carlo Bottarelli, afirmou em teleconferência com analistas de mercado que a geração de caixa atual do aeroporto, estimada em R$ 130 milhões em 2011, já seria mais do que suficiente para pagar o valor anual da outorga — de R$ 127,4 milhões. Parte das dúvidas sobre a Triunfo se baseia na perda da concessão da rodovia Ayrton Senna (SP), em 2009, por falta de garantias. A empresa culpa a seguradora de não ter cumprido com seus compromissos. Para Bottarelli, a chance de um fato como esse se repetir é nula.
Sobre Viracopos, o executivo lembrou que os estudos levados a cabo pela Triunfo e demais participantes do consórcio (UTC e a francesa Egis Ariport Operation) mostraram que a necessidade de investimentos é 32% menor do que a estimada pelo governo. A empresa prevê R$ 7,8 bilhões para a ampliação e manutenção do aeroporto nos 30 anos da concessão, contra R$ 11,5 bilhões estimados pelo governo.
— E temos que considerar que a nossa participação na administração do aeroporto, e nossos dividendos, estarão limitados a 23% do total. Isso porque a Infraero é sócia com 49% — disse.
O executivo ironizou a observação negativa que a Triunfo recebeu da agência de risco Fitch. Ele disse que se sentiu lisonjeado por ver o nome da empresa pela primeira vez nos painéis de notícias e se colocou à disposição para esclarecer detalhes do projeto para a instituição. Depois de terem caído 10% por causa da concessão, os papeis da Triunfo subiram 6,54% ontem. O avanço se deu num dia em que o Ibovespa caiu 0,13%.
No caso de Guarulhos, estima-se que a Invepar e seus sócios precisarão triplicar as receitas do aeroporto, que devem atingir R$ 1 bilhão este ano, para fazer frente aos R$ 810 milhões anuais e quitar os R$ 16 bilhões pela outorga do terminal, além de realizar os investimentos previstos, garantindo retorno de 6% ao ano. O presidente da companhia, contudo, estima que o crescimento no número de passageiros será maior que o estimado, bem como o da receita não-tarifária, na locação de áreas do aeroporto, por exemplo.
O Consórcio Inframérica, que levou a concessão de Brasília, informou em nota que tem capacidade para honrar os compromissos. A empresa lembrou que Brasília é um hub (centro de distribuição de voos) e deverá contar com 34 milhões de passageiros/ano até o fim do contrato. A exploração comercial do aeroporto será uma grande fonte de renda. “O Consórcio pretende atingir uma receita comercial nos padrões internacionais já alcançados pela Corporación América em seus aeroportos ao redor do mundo e que, hoje, não encontramos nos aeroportos do país”.
Mantega: governo vai avaliar capacidade das empresas
O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, que compareceu à inauguração do novo terminal de Guarulhos — a estrutura emergencial conhecida como “puxadinho” — disse ontem não acreditar que os consórcios vencedores terão problemas para manter os investimentos, lembrando que o governo vai fiscalizar e que há multas previstas no contrato:
— Há absoluta confiança no processo e nos novos sócios.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo vai avaliar a capacidade financeira e de gerenciamento dos grupos vencedores:
— As empresas têm que ter capacidade própria de financiamento, de investimento e de gerenciamento. Elas vão poder contar com o BNDES, porque em qualquer país do mundo você tem fontes de financiamento, mas têm que ter capacidade própria.
Mantega assegurou que os recursos da concessão não serão utilizados pelo governo para abater juros da dívida pública. Embora Gustavo do Vale, da Infraero, tenha admitido que outros terminais possam ser concedidos à iniciativa privada ainda neste ano — lembrando que não há decisão sobre isso — Mantega disse que o governo não estuda fazer novas concessões de aeroportos neste momento. Segundo ele, o plano é criar, ao longo do tempo, uma rede nacional composta por aeroportos principais e regionais, sendo que os menores receberão a ajuda das novas receitas de concessão:
— Não é correta a informação de que o governo estaria estudando a concessão para estados e municípios de aeroportos regionais. Não está previsto neste momento. Estamos pensando em criar uma rede de aeroportos, que tem os aeroportos principais e os regionais, e é por isso que os recursos arrecadados com a concessão não irão para o Tesouro, não serão utilizados para o pagamento de dívida.

Fonte: O Globo

Melissa finca os pés em Nova York


De olho no mercado de moda internacional, marca abre loja em rua badalada do Soho

Um passo ousado para conquistar o mercado internacional foi dado nesta quarta-feira pela Grendene com a abertura da Galeria Melissa no SoHo, bairro dos descolados e das grifes famosas em Nova York. Maior exportadora de calçados do país, a Grendene quer iniciar, na Greene Street, na vizinhança de grifes como Louis Vuitton e Stella McCartney, uma presença nos lugares que ditam a moda internacional.
— Muitas marcas estão se dirigindo para cá, são marcas cult, referência na moda. Queremos fazer moda, e não seguir tendências — diz Francisco Schmitt, diretor de relações com investidores da Grendene, em Nova York.
A primeira Galeria Melissa foi aberta há cinco anos, na Rua Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo. Não há planos para uma loja semelhante no Rio, mas sim na Europa e na Ásia. A China é o mercado que mais cresce para a Grendene, que vendeu 54 milhões de pares para o exterior em 2010 (38% do total de vendas do Brasil). Os planos de abertura de novas galerias Melissa no exterior são para curto prazo, mas sem datas nem cidades definidas.
O investimento para a abertura de uma loja do tipo oscila entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões. A grande questão, segundo Schmitt, é achar o ponto certo:
— Serão pelo menos uma cidade na Europa e uma na Ásia. O ponto é fundamental. Queremos locais influentes.
O diretor lembra que o Brasil já ocupou, nos anos 1980, o lugar que a China detém hoje, de maior exportador de calçados do mundo, com base na mão de obra barata. Hoje, os asiáticos são imbatíveis por esse critério, e a Grendene procura garantir seu lugar no mercado investindo em design.
— Se o Brasil quiser sair do modelo de exportação de commodities, vai ter que achar o caminho de exportar inteligência, valores brasileiros, arte brasileira — disse Schmitt, acrescentando que as vendedoras da loja do SoHo foram recrutadas entre brasileiras que já moravam em Nova York.
O diretor da Grendene explica que a galeria expõe apenas a coleção atual. Mas destaca que a empresa está ligada ao sentimento de nostalgia associado às coleções Melissa, que têm mais de 30 anos. Por isso, de tempos em tempos, há relançamentos.
Ao longo desses anos, a Melissa passou por aquilo que executivos e especialistas em marketing definem como “reposicionamento de marca”. Deixou de ser popular e passou a se dirigir a um público de renda mais alta, com parcerias com estilistas como Jean-Paul Gaultier. Alguns modelos chegaram a ser vendidos a R$ 800.
Em Nova York, a marca já era vendida em 40 a 50 revendedores selecionados a dedo, como o Saks Fifth Avenue, loja de departamento de luxo na Quinta Avenida. No Brasil e em mais de 90 países, são quatro mil lojas parceiras.
Com a galeria, a empresa almeja reforçar a marca com os milhares de turistas brasileiros que passam pela cidade.
— Com certeza, todos esses brasileiros que estão viajando para o exterior vão reforçar a adesão à marca — disse Paulo Pedó, diretor de marketing da Melissa.

Fonte: O Globo

Carga tributária de 2011 deve bater recorde, chegando a 36% do PIB


Resultado previsto em estudo de economista é superior à marca histórica de 2008

Turbinada pela arrecadação de impostos federais, a carga tributária deve bater novo recorde em 2011, chegando a 36,2% do Produto Interno Bruto (PIB), com crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2010. A previsão está em estudo dos economistas José Roberto Afonso, Kleber Castro e Marcia Matos, que criou o Termômetro Tributário, um acompanhamento mensal da evolução das principais receitas no Brasil — 85% do total — a partir de informações oficiais. O resultado de 2011, que precisa ser consolidado pelas três esferas de governo, supera a marca de 2008, quando a carga tributária atingiu o recorde de 35,6% do PIB. Em 2010, pela metodologia utilizada de Afonso, a carga chegou a 34,2% do PIB.
— Na série histórica da carga bruta global, a variação de dois pontos do PIB em 2011 foi o salto mais expressivo desde 2000 — destacou.
Outra constatação do estudo é que a expansão da carga em 2011 não foi generalizada, mas concentrada nos tributos federais. No ano passado, 85% do aumento vieram de impostos recolhidos pela Receita Federal.
A arrecadação federal cresceu 1,98 ponto percentual do PIB na comparação com 2010, enquanto a soma dos principais impostos estaduais (ICMS e IPVA) teve um incremento de apenas 0,02 ponto percentual do PIB. Com essa performance, a carga de tributos estaduais ficou abaixo do montante registrado em 2008. Alcançou 7,79% do PIB em 2011 contra 7,93 % naquele ano.
Carga global frente a 2000 é 17% superior
O economista comparou a carga global projetada para 2011 com a de 2000, concluindo que é 17% superior. Nessa comparação também fica evidente o crescimento mais intenso do bloco de tributos federais, que cresceu 18%, enquanto o conjunto de tributos estaduais, apenas 5%. Entre 2000 e 2011, o aumento da arrecadação do ICMS cresceu apenas 3%, contra 17% da receita federal administrada e 21% da receita previdenciária.
O estudo mostra que dez setores responderam por 67% do incremento total da receita. O financeiro é responsável por 19% do ganho total. Em segundo, aparece o de extração mineral. Esse desempenho tão diferente da arrecadação federal refletiria uma economia dual, na visão do economista. Enquanto alguns setores crescem em ritmo chinês, os demais seguem padrões latinos.
Pelos cálculos do economista Amir Khair, outro especialista em tributos, a carga tributária deve crescer 1,7 ponto percentual do PIB em 2011, na comparação com 2010, pelo aumento do Imposto de Renda. Ele também destacou o papel da Previdência no aumento da arrecadação, por causa da formalização crescente de mão de obra e de ganhos reais nos salários.
Para 2012, Khair prevê que a carga tributária vai depender da política fiscal do governo.

Fonte: O Globo

Ovos de Páscoa vão ficar até 9% mais caros este ano


Setor estima crescimento da produção na ordem de 20% e aposta em produtos para adolescentes e crianças


Nem chegamos ao carnaval e os produtores de chocolate já fecharam suas contas para Páscoa: a produção deve ficar 20% maior do que em 2011 e os preços dos ovos de Páscoa até 9% mais altos. Alguns fabricantes, como Garoto e Nestlé, afirmam que, na média, seus reajustes vão acompanhar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — referência para a inflação oficial — que fechou 2011 com alta de 6,50%. Outras empresas, no entanto, como a líder de vendas para a data, a Lacta, vão elevar os preços entre 8,5% e 9%.
Os aumentos, dizem os fabricantes, refletem a alta dos custos de mão de obra, cacau e leite. Tema também amargo para o setor é a carga tributária: 34% de impostos. De qualquer forma, dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) mostram que o setor vai bem, obrigada.
— Nos últimos dois anos o setor cresceu 35%. O consumo per capta de chocolate no país é de 2,2 kg por habitante. Há dois anos, era 1,65kg. O setor vai bem, obrigado — diz Ubiracy Fonseca, vice-presidente de chocolate da Abicab.
Fonseca revela que, em 2011, foram produzidas 18 mil toneladas de produtos de chocolate para a Páscoa. E houve um aumento de consumo de cerca de 7% em relação ao ano anterior. A associação, no entanto, não faz estimativas para 2012.
— O Brasil é o quarto maior produtor de chocolates do mundo. Temos produto de alta competitividade — afirma Fonseca.
A Lacta produzirá 27 milhões de ovos de chocolate em 2012, dois milhões a mais do que em 2011. A Kopenhagen, do Grupo CRM, aumentará sua produção em 28% e os preços de 5% a 7,5%, informa a vice-presidente executiva do grupo, Renata Moraes Vichi:
— No ano passado, dez dias antes da Páscoa alguns produtos já estavam esgotado – conta Renata.
Os produtos clássicos mais procurados pelos consumidores da Kopenhagen custam entre R$ 74,90 (ovo de 350g) até R$ 129,90 (ovo de 650g). Para esta Páscoa a novidade da marca é a “galinha dos ovos de ouro”, fabricada em louça branca, com ovinhos de chocolate (R$ 89,90).
Astro pop, filme e personagens infantis são apostas para aumentar vendas
Vice-líder com 23% de participação no mercado de Páscoa, a Nestlé espera um crescimento de 5% neste ano. O reajuste nos preços dos produtos ficará entre 3% a 4%, índice abaixo da inflação, segundo Ricardo Bassani, gerente de marketing de chocolates da empresa:
— Há ovos que não tiveram aumento. Até por uma questão de competitividade procuramos repassar o mínimo de reajuste para o consumidor.
Uma das vedetes da empresa neste ano é um produto para o público teen feminino: o ovo de Páscoa do astro internacional Justin Bieber, ao preço médio de R$ 24,90.
— O brinde é um colar semelhante ao que ele usa. Além disso, vem uma foto autografada e vale um download gratuito de uma música de Bieber — revela Bassani.
Já a Garoto aposta no sucesso do filme “Crepúsculo” com o lançamento de produto que traz uma pulseira como brinde.Terceira marca no mercado de Páscoa, a Garoto vai reajustar seus produtos em 3%, em média, segundo André Barros, gerente executivo de marketing.
O gerente comercial da fabricante de chocolates Village, Reinaldo Bertagnon, diz que diferentemente do que acontece com o panetone no Natal, os produtos de Páscoa não tem “concorrentes”:
— No fim de ano, as pessoas têm 13 salário, mas pagam dívidas, compram telefone celular, presentes e até mesmo o peru. A Páscoa é um evento onde os presentes são únicos: chocolate e bolo pascal — fala Bertagnon.
A Cacau Show é a empresa com mais lançamentos para a Páscoa: 14 produtos. O presidente e fundador da empresa, Alexandre Costa, diz que os ovos com a casca recheada continuam sendo o carro-chefe da data. Alguns produtos, como o ovo de Páscoa crocante de 400g, não sofrerão reajuste.
— Esperamos crescer no primeiro quadrimestre 28,7% em valor de vendas — afirma Costa.
Na Top Cau, os ovos com brindes infantis correspondem a 75% do portfólio da empresa. A Arcor pretende crescer 20% neste ano, não só com ovos de Páscoa, mas também com as linhas regulares de chocolate, segundo Oswaldo Nardinelli Filho, diretor geral da marca no Brasil.

Fonte: O Globo

Dez maiores bancos têm 85% dos ativos e concentração deve crescer


Novas aquisições à vista. Setor ainda apresenta juros e tarifas elevados

A expectativa dos analistas de que o Banco do Brasil atinja R$ 1 trilhão em ativos totais este ano e a aproximação entre os indicadores de Bradesco e Itaú — segundo balanço divulgado terça-feira, o Itaú atingiu em dezembro de 2011 R$ 851,3 bilhões em ativos totais, enquanto o Bradesco ficou com R$ 761,5 bilhões — evidenciam o aumento da concentração no setor. Há dez anos, diz o especialista em setor bancário Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, os dez maiores bancos brasileiros detinham 65% dos ativos totais do setor. No ano passado, a parcela era de 85%.
O movimento de consolidação do setor bancário brasileiro, iniciado a partir da queda da inflação com o Plano Real em 1994, acelerou-se a partir da primeira década do século 21 com a entrada dos conglomerados estrangeiros, o acirramento das operações de fusões e aquisições entre bancos e a própria crise econômica em 2008 nos Estados Unidos e na Europa.
E não só na intermediação de recursos que os bancos se concentram. Segundo levantamento da CardMonitor, empresa de pesquisa do mercado de meios eletrônicos de pagamentos, os cinco maiores bancos emissores de cartões detinham 68% do mercado em 2005. No ano passado, a fatia subiu para 81%. Ainda assim, Rodrigues afirma que este movimento de consolidação ainda está longe de ter se esgotado. Os pequenos e médios bancos brasileiros, que cresceram em número por conta da popularização do crédito consignado, ainda não se recuperaram completamente do encurtamento do crédito após a crise e das regras mais restritivas impostas pelo Banco Central.
— O mercado caminha para mais concentração porque os menores não estão totalmente livres de problemas de capitalização e seus controladores não têm fôlego para isso. Prevemos fusões e aquisições nesta faixa — diz Rodrigues.
‘Concentração é parte de problema’
Tal concentração e aumento da concorrência não foram capazes de trazer para baixo nem as taxas de juros cobradas em empréstimos, cheques especiais ou cartões, nem as tarifas cobradas pelas instituições por seus serviços. As diferenças, observa o consultor e ex-economista-chefe da Febraban, Roberto Luis Troster, são gritantes e evidenciam, de um lado, problemas de eficiência das instituições e, de outro, desequilíbrios tributários, de regulamentação e de política monetária, como os compulsórios.
— Enquanto a taxa básica de juros, a Selic, cresceu 0,25 ponto percentual em 2011, os juros do crédito pessoal, sem contar os empréstimos consignados, subiram 45 vezes mais. O Itaú cobra 8,84% pelo cheque especial, enquanto a Caixa cobra 7,98%. A concentração é apenas parte dos problemas — diz Troster.
Há quem discorde. O professor do Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares da Universidade de Brasília, Newton Marques, ex-analista econômico do Banco Central, afirma que os grandes bancos competem entre si por ativos, mas o BC, com uma regulamentação frouxa, permite que bancos façam acordos tácitos que inibem a concorrência do ponto de vista dos clientes.
— São táticas de oligopólio. — diz ele.
Na avaliação da professora do Instituto de Economia da UFRJ Jennifer Hermann, a concorrência não aumentou:
— Os spreads e a lucratividade dos bancos não caem porque a concorrência não aumentou. O custo para mudar de banco é gigantesco no país, as taxas mal explicadas pelos bancos e não temos uma legislação antitruste capaz de evitar, por exemplo, uma fusão entre o Itaú e o Unibanco, que acabou acelerando o movimento de concentração de outros bancos.
A aproximação entre o Bradesco e o Itaú em termos de ativos totais é o resultado de uma estratégia agressiva de crescimento que o Bradesco adotou no dia seguinte ao anúncio da fusão entre Itaú e Unibanco e que focou, segundo o professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ Luiz Fernando de Paula, no aumento de agências e funcionários — seguindo a tradição do banco de ter uma presença geográfica enorme — e na captação, para sua base de clientes, de gente que nunca teve uma conta bancária na vida, surfando na emergência das classes C e D. Além disso, também avançou em pequenas e médias empresas, um segmento onde o Bradesco é líder em empréstimos. O Itaú, por sua vez, não desprezou os segmentos onde é líder, como private banking, banco de investimento e as soluções para grandes empresas.

Fonte: O Globo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Inflação pelo IGP-DI voltou a crescer em janeiro, diz FGV


Índice aumentou 0,30% no mês e acumula 4,29% em 12 meses

O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) voltou a subir em janeiro, revertendo a deflação vista em dezembro, com todos os subíndices registrando alta nos preços. O IGP-DI subiu 0,30% em janeiro, ante queda de 0,16% em dezembro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira. Nos últimos 12 meses até janeiro, o índice acumulou alta de 4,29%.
Analistas consultados pela Reuters previam inflação de 0,32%, segundo a mediana de 16 previsões. Em janeiro de 2011, o IGP-DI tinha avançado 0,98%.
O Índice de Preços por Atacado-Disponibilidade Interna (IPA-DI) -que calcula os preços de bens agropecuários e industriais nas transações comerciais de produtores e responde por 60% do IGP-DI- teve variação positiva de 0,01%, ante queda de 0,55% em dezembro. Destaque para o salto de 8,88% nos preços do milho em grão, após recuo de 4,90% em dezembro. Os custos da soja em grão subiram 3,74% em janeiro, revertendo a deflação de 1,88% no mês anterior.
O Índice de Preços ao Consumidor-Disponibilidade Interna (IPC-DI) -que mede a evolução dos preços às famílias com renda entre 1 e 30 salários mínimos mensais e que corresponde a 30% do IGP-DI- acelerou a alta em janeiro a 0,81%, frente à taxa de 0,79% no mês anterior. Nesse subíndice, os preços de curso de ensino superior saltaram 6,70%, ante estabilidade em dezembro. A tarifa de ônibus urbano também pesou, com alta de 2,60%, contra variação positiva de 0,02%.O núcleo do IPC-DI, no entanto, desacelerou a alta, registrando inflação de 0,37% em dezembro, ante 0,62%.
Representando 10% do IGP-DI, o Índice Nacional de Custo da Construção-Disponibilidade Interna (INCC-DI) avançou 0,89% em janeiro, acelerando em relação à alta de 0,11% de dezembro.O movimento foi puxado principalmente pelo aumento nos custos com ajudante especializado (+1,32% em janeiro, ante estabilidade em dezembro) e servente, com avanço de 1,35%, contra estabilidade em dezembro. O INCC-DI é um indicador econômico que mede a evolução de custos na construção civil.
O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais, sendo o indexador das dívidas dos Estados com a União. O índice também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral.

Fonte: O Globo

Número de empresas estreantes na Bolsa deve triplicar este ano


Especialistas esperam que, ao menos, 35 companhias ofertem ações contra 11 de 2011.

O efeito Facebook já começa a contagiar empresas que adiaram seus planos de estrear na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), no ano passado, quando a crise europeia se aprofundou. Estimuladas pela notícia da abertura de capital da rede social no mercado americano, que pode captar até US$ 5 bilhões em maio, e por uma valorização de 11,1% do Ibovespa em janeiro, as companhias já começam a se mexer para buscar capital na Bolsa. Em três grandes escritórios de advocacia que trabalham em operações deste tipo, consultados pelo GLOBO, há pelo menos 35 IPOs (do inglês Initial Public Offering, oferta pública inicial) em gestação.
O diretor-presidente da Bovespa, Edemir Pinto, disse que existem entre 40 e 45 empresas com planos de abertura de capital represados e esperam uma “janela de oportunidade”. Se isso se confirmar, será o maior movimento de estreantes na Bolsa desde 2007, ano em que 64 empresas foram, pela primeira vez, vender ações no pregão brasileiro, captando R$ 55 bilhões. Logo depois, em 2008, veio a crise dos bancos nos Estados Unidos, que desencadeou a crise global e reduziu o ritmo dessas operações. No ano passado, com o foco dos problemas na Europa, a Bovespa registrou apenas 11 IPOs, com captação de pouco mais de R$ 7,1 bilhões, queda de 35% em relação a 2010. Outras 11 empresas que lançariam ações no pregão adiaram as operações.
— Esperamos a retomada desse mercado em 2012, em face das soluções que os europeus estão encontrando. O potencial é muito grande — afirma Edemir Pinto.
Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão do mercado de capitais onde as companhias são obrigadas registrar a operação, existem até agora três pedidos formais de oferta pública de ações para este ano. Eles são da Brasil Travel Turismo e Participações, Seabras Serviços de Petróleo e da Isolux Infrastructure. São empresas que oficializaram seus IPOs ano passado e que já estão na reta final do processo. A Seabras, por exemplo, que planejava a operação para o início deste ano, acabou adiando o IPO para abril para revisar sua estrutura corporativa. A expectativa da empresa é captar até R$ 1,7 bilhão na Bovespa.
— No melhor cenário, se a crise europeia caminhar para uma solução, os IPOs de empresas que se interessaram pela operação neste início de ano devem ser realizados entre maio e junho. As companhias estão animadas com o capital estrangeiro que está vindo para a Bovespa. Temos pelo menos 20 operações em estoque, entre empresas novas e outras que já tinham começado o processo ano passado, mas adiaram — diz Eliana Chimenti, sócia do escritório Machado, Meyer e uma especialista em mercado de capitais.
O advogado Robert Ellison, do escritório americano Shearman & Sterling, que auxilia empresas brasileiras a fazer IPOs no mercado americano, além de emissão de títulos no mercado de dívida, avalia que a abertura de capital do Facebook é uma espécie de sinalizador para o mercado.
— O anúncio da abertura de capital do Facebook sinaliza que os Estados Unidos têm mercado para novos IPOs e também significa a volta das ofertas de ações de empresas de internet. É difícil avaliar o que vai acontecer, mas a decisão do Facebook é um indicador de que há dinheiro buscando novas oportunidades de ganhos — afirma Ellison, que trabalha com cerca de 15 empresas brasileiras neste momento, entre IPOs e emissão de bônus.
Saldo de capital estrangeiro em janeiro na Bovespa foi o maior desde a implantação do Plano Real
Em janeiro deste ano, na Bolsa de Valores, o saldo de capital estrangeiro ficou positivo em R$ 7 bilhões, o maior valor desde a implantação do Plano Real. E na primeira semana de fevereiro, o saldo já está positivo em R$ 1 bilhão.
A advogada Eliana Chimenti diz que a maioria das operações envolve empresas dos setores de varejo e infraestrutura, que se beneficiam com o aquecimento do mercado interno.
— Como o governo brasileiro anunciou que está “perseguindo” um crescimento econômico este ano entre 4% e 5%, e deve reduzir juro e estimular crédito para atingir este objetivo, isso encoraja muitas empresas voltadas ao mercado interno a ir buscar capital na Bolsa — diz o vice-presidente de Tesouraria do banco WestLB, Ures Folchini.
O advogado Jean Arakawa, do escritório Mattos Filho, lembra também que há empresas que já estão listadas em Bolsa e preparam uma segunda oferta de ações, aproveitando a abertura da “janela de oportunidade”:
— Neste momento, existe o sentimento de que o problema na Europa é grave, mas não se tornará uma crise aguda.
Arakawa, cujo escritório trabalha em pelo menos 11 operações de lançamento de ações, cinco delas de empresas “novas”, que procuraram auxílio jurídico este ano. O escritório trabalha inclusive no IPO da Isolux, uma empresa de origem espanhola, que opera com transmissão de energia em 15 países, geração de energia solar e já tem concessão de uma rodovia na Bahia.
Um levantamento feito pela corretora Cruzeiro do Sul mostra que pelo menos 230 IPOs podem acontecer no mercado americano este ano, o que demonstra a confiança das companhias na recuperação da economia dos EUA.
O economista da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, avalia que mesmo que na crise europeia não piore e os Estados Unidos mantenham o ritmo de crescimento econômico, ainda que lento, o mercado atual não é comparável ao de 2007.
— É preciso levar em conta que os investidores não devem pagar o valor máximo calculado para as ações de novas empresas que entrarem na Bolsa. De qualquer forma, a Bovespa tornou-se uma das maiores do mundo. Com a decisão do Banco Central americano de manter a taxa de juro entre zero e 0,25% até 2014, o capital estrangeiro está procurando boas oportunidades de ganho. E o Brasil está na mira — afirma o economista.
Para o pequeno investidor que se interessar pelas novas ofertas de ações, vale o mesmo raciocínio do economista Clodoir Vieira. O cenário atual ainda é de cautela, diferente do período 2004/2007, quando tinha-se a impressão de que um ganho de pelo menos 10% nos primeiros dias após o IPO era garantido. Hoje, os investidores estão mais seletivos e criteriosos, portanto, cautela é a palavra de ordem. A crise ainda sem solução na Europa também deixa mais evidentes os riscos de investir no mercado de renda variável e, especialmente, nos IPOs.

Fonte: O Globo